quinta-feira, 19 de julho de 2012

Atividades para o mês de agosto

Grupo de Teatro (Re)Nascer


Não perca a nova peça do nosso Grupo (Re)Nascer "Homenagem a Ivone Silva" onde mostramos a vida de uma das maiores atrizes portuguesas, nascida em Paio Mendes, Ferreira do Zêzere.

Parabéns para o autor e encenador Hélio Antunes e para todas as atrizes e atores e equipa técnica.

Depois do grande sucesso nas sessões do mês de julho, não perca os restantes espetáculos nos dias 3 e 4 de agosto.








Filarmónica

Dia 5 - Procissão e Concerto na Festa de Pias

De 10 a 12 - Participação na Feira dos Petiscos em Ferreira do Zêzere.

Dia 11 - Concerto na Feira dos Petiscos DePenicar.

Dia 12 - Procissão e Concerto na Festa de Arega

Dia 15 - Procissão e Concerto na Festa de Dornes

Dia 19 - Procissão e Concerto na Festa de Louriceira



Escola de Inglês - Incrições abertas

A nossa coletividade celebrou protocolo com o Instituto de Línguas do Centro que lecionará aulas de inglês na nossa sede a partir do próximo mês de setembro. Estão Inscrições abertas.

Não perca tempo!

Contacte: 241 372 670 ou 915 175 821

domingo, 15 de julho de 2012

Estreia foi um sucesso

Estreou esta noite a nova peça do nosso Grupo (Re)Nascer e foi mais uma vez um grande sucesso.
Casa cheia e merecidos aplausos para o autor e encenador Hélio Antunes e para todas as atrizes e atores e equipa técnica.
Muitos parabéns  e obrigado a todos.
Não perca os restantes espetáculos nos dias 21 e 28 de julho, e 3 e 4 de agosto.


Estreia de Homenagem a Ivone Silva - free slideshow maker

Aqui ficam alguns momentos antes da estreia para mais tarde recordar.

sábado, 7 de julho de 2012

Estreia hoje a peça "Homenagem a Ivone Silva"

“Homenagem a Ivone Silva” é o título do novo trabalho grupo de teatro (Re)Nascer, da Associação Recreativa Filarmónica Frazoeirense, de Ferreira do Zêzere. Trata-se de um trabalho inspirado no percurso de vida da atriz Ivone Silva, que nasceu em Paio Mendes, concelho de Ferreira do Zêzere em 24 de Abril de 1935.





Esta nova produção, conta com 20 Actores que vão representar a vida de Ivone Silva, numa viagem que começa com a sua infância, passagem por Lisboa, França e depois mostrando um pouco do seu percurso profissional no teatro e televisão com a representação de algumas das rábulas mais conhecidas desta grande atriz. Segundo o encenador, Hélio Antunes, «Este é um dos trabalhos mais difíceis que fizemos até hoje, pois para além da encenação exigente, os atores estão ainda a ensaiar coreografias e músicas para que a peça tenha um “cheirinho a revista”, sendo o tempo de ensaios sempre pouco. Mas vamos fazer o nosso melhor e estamos todos muito motivados». A exigência chega também ao guarda-roupa, pois todos os atores terão que mudar várias vezes de roupa, e irão representar três ou quatro personagens diferentes ao longo da peça, exigindo assim um enorme esforço também em termos de bastidores.


O espetáculo da autoria e encenação de Hélio Antunes, tem estreia marcada para este sábado dia 14 de Julho às 21h30, continuando depois em cena nos sábados seguintes no mesmo horário, tendo ainda representações nos dias 3 e 4 de Agosto, na Sala de espetáculos da Associação Recreativa Filarmónica Frazoeirense.


domingo, 13 de maio de 2012

Convívio 2012

Realizou-se neste domingo o convívio de músicos e músicas filarmónica e atores e atrizes do Grupo de Teatro e familiares.
Este ano escolhemos a praia do Penedo Furado em Vila de Rei.
Em Reunião Geral de Músicos reelegemos a Cristiana Rosa e o Miguel Antunes para representantes dos músicos.
Obrigado a todos pelo excelente dia em que passámos juntos.
























quarta-feira, 2 de maio de 2012

Concurso para arrendar o bar da coletividade

No seguimento do pedido de rescisão do contrato de arrendamento apresentado no dia 29 de abril pela arrendatária do Bar, a partir do dia 30 de junho de 2012, a Direção deliberou abrir concurso público para a exploração do bar da coletividade durante o mês de maio. As propostas deverão dar entrada na coletividade até ao dia 30 de maio.






sábado, 21 de abril de 2012

As Bandas Filarmónicas por José Luís Peixoto


O tempo passava. Hoje, para mim, esse é o grande mistério.
Antes, naquela idade, iluminado pela luz de outono que chegava depois da chuva e que atravessava as vidraças da Sociedade Filarmónica, eu estava sozinho numa sala com chão de madeira. Havia buzinadelas de trombones ou guinchos de clarinetes que chegavam de outras salas, atravessavam as paredes, mas eu estava no centro de uma calma importante, sentado diante de uma pauta, concentrado, a desenhar notas no ar com dois dedos. Era o solfejo a ondular-me na voz ainda de criança: dó-ó-ó-ó, ré-é-é-é.

Mais tarde, noutra estação, levava para casa uma caixa, parecia uma mala de viagem, e sentia-me solene ao atravessar as ruas com ela. A caixa ia cheia de responsabilidade. Num dia de especial cerimónia, o mestre da música tinha-se baixado até à minha altura para me olhar bem nos olhos e me dizer que, a partir daquele momento preciso, eu era o único responsável por aquele instrumento. No meu quarto, pousava a caixa sobre a colcha da cama feita, abria-lhe o fecho e admirava-me com o saxofone alto. A quantidade de chaves e botões impressionava. Apesar de fosco por anos de uso, apesar de algumas amolgadelas, o seu brilho continuava a ser imponente. Ao longe, trazido pelo vento, é quase certo que o sino da vila dava horas nesse instante.

A banda ensaiava no salão da Sociedade. Em matinés de domingo ou em terças-feiras de Carnaval, eu entrava nesse salão e ficava a ver os bailes, analisava os casais que dançavam e as mulheres que ficavam sentadas, com as malas no colo, bem vestidas, colares, alfinetes talvez de ouro, muito sérias, a seguirem cada passo das filhas. Depois de pagar bilhete, era também aí que entrava para ver filmes projetados num lençol. Nos ensaios da banda, os saxofones altos ficavam na fila da frente, ao centro. Tocávamos as mesmas músicas vezes e vezes, o mestre balançava à nossa frente, o seu corpo seguia a batuta. Então, podia interromper tudo de repente e cantar um pouco para explicar um detalhe ao bombardino: pó-pó-pópópópó. Ou, com frequência, podia irritar-se com as trompas. Perguntava: as trompas estão a dormir?

A flauta era tocada pela rapariga mais frágil. O bombo era tocado pelo rapaz mais forte. A ensaiar no salão ou a marcharmos fardados pelas ruas, o bombo era o coração de um gigante do qual todos fazíamos parte. De manhã cedo, em dia de festa, quando tocávamos arruadas na nossa terra ou em terras próximas, acertávamos o passo pelo bombo. Todos avançávamos com o pé direito ao mesmo tempo. Depois, ao mesmo tempo, todos com o pé esquerdo. Levávamos as partituras presas com molas da roupa a um pequeno retângulo de cartão que nos ficava à frente dos olhos. O mestre da banda seguia lá à frente, orgulhoso e rebiteso, a levar-nos por onde só ele sabia. No céu, estouravam foguetes.
Havia certos lugares, como a Junta ou a Casa do Povo, onde estavam à nossa espera. Então, parávamos e tocávamos uma marcha enquanto hasteavam a bandeira muito devagar. A seguir, quando o mestre dava ordem, saíamos da formação. Os instrumentos maiores eram pousados em algum lugar mais ou menos protegido, formavam uma imagem brilhante, e nós entrávamos em direção a uma mesa. Havia papo-secos cortados ao meio com fiambre ou queijo e havia fatias de bolo. Esperávamos à volta da mesa, a olhar. Depois de recebermos licença, estendíamos um copo de plástico que alguém enchia com sumol. Não havia barulho enquanto comíamos esses lanches. Havia os nossos olhos abertos por cima dos copos. Durante esse tempo, os rapazes que vinham atrás da banda pelas ruas, assomavam-se à porta e ficavam a espreitar. Esse era o momento, achávamos nós, em que tinham pena de não fazer parte da banda.

Nas procissões, tocávamos marchas muito lentas, pesadas, e avançávamos muito devagar. Aprendíamos a intensidade. Quando parávamos de tocar, a caixa continuava a marcar o passo baixinho, atravessávamos ruas cobertas de alecrim, e ouvíamos a voz do padre, amplificada por um microfone, alternada com um coro de viúvas. Além disso, em tardes de muito mais sol, subíamos a coretos de jardins com laranjeiras carregadas e, quando tocávamos algo que se afastasse das marchas e dos pasodobles, acreditávamos que estávamos a ser modernos.

De manhã, quando eu acordava, a minha mãe tinha a farda passada e dobrada à minha espera, a camisa pendurada nas costas de uma cadeira. Os sapatos engraxados.

E o tempo passava. Sem que me apercebesse, de repente, transformava-se na minha vida.

 José Luís Peixoto

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